quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Como se virar nos primeiros dias em Vancouver

Quando chegamos aqui, tudo era muito diferente, e até nos acostumarmos nos perdemos, passamos algumas vergonhas, ficamos com raiva algumas vezes... Por isso vou dar algumas dicas pra que vocês não fiquem tão perdidos.

Passagem de ônibus: Essa provavelmente vai ser uma das primeiras coisas que vocês vão precisar saber ao chegar aqui. O sistema de passagem no começo pode parecer meio complicado, mas não é...



No sistema de transporte, Vancouver e região metropolitana são divididos em três zonas: 1 Zone (amarelo), 2 Zone (vermelho) e 3 Zone (verde). 

Cada zona tem um valor de passagem:


Regular Fares
ZoneAdult
Concession




Weekdays from start of service to 6:30 p.m.
1 Zone$2.50$1.75
2 Zone$3.75$2.50
3 Zone$5.00$3.50


Weekdays after 6:30 p.m. and all day Saturday, Sunday and HolidaysAll Zones$2.50$1.75


Esses são os valores para a compra individual das passagens. Por exemplo, se você mora na zona 2, e vai pra zona 1 o valor que você paga por uma passagem é equivalente à $ 3,75 (e vice-versa) durante os dias de semana, até as 6:30. Dias de semana depois das 6:30, e finais de semana e feriados o valor de todas as zonas é de 2,50.

Para comprar a passagem nas estações de Skytrain, tem uma máquina onde você coloca o dinheiro, ou cartão logo na entrada de todas as estações. Já se você for comprar a passagem dentro do ônibus, você deve ter o dinheiro trocado, pois a máquina não devolve troco. Você tem 90 minutos para utilizar a mesma passagem. 

Existe um bloco de tickets que pode ser comprado em várias lojas de conveniência, mercados ou farmácias, que se chama Fare Saver Tickets. Vem com dez passagens e sai um pouco mais em conta do que pagar a passagem 10 vezes. E além disso é bem mais prático. A unica coisa que você precisa fazer é validar o ticket quando for utilizar transporte publico. O que também é feito em uma máquina dentro da estação de Skytrain, ou ônibus. Uma vez validado, você tem 90 minutos para utilizar esse mesmo ticket.

Se você for utilizar o transporte público todos os dias, deve comprar o MONTHLY PASS (Passe mensal). Você pode comprar o monthly pass para uma, duas ou três zonas, dependendo de sua necessidade. 
Com esse cartão, você pode utilizar o transporte publico quantas vezes for preciso durante o mês. Basta mostra-lo ao motorista. 

FareCards
Adult
Concession**
1 Zone
$81
$46.50
2 Zone
$110
$46.50
3 Zone
$151
$46.50
Vale lembrar que para o Skytrain não é necessário valida-lo, mas é sempre preciso te-lo consigo, no caso de alguma fiscalização.

Existe a facilidade para estudantes de FULL TIME, de algumas universidades de comprar a passagem a um preço bem mais barato. Vale conferir em http://www.translink.ca/en/Fares-and-Passes/Student-Passes/U-Pass/U-Pass-FAQ.aspx

Moedas: É bem normal ficar confuso com as moedas canadenses, algumas tem o layout parecido com as nossas, mas os valores são diferentes. E são elas:


Cada moeda tem um nome:
TOONIE: Equivalente a 2 dólares (lembra nossa moeda de 1 real).
LOONIE: Equivalente a 1 dólar (parece nossa moeda de 25 centavos). 
QUARTER: Chama-se assim pois equivale a 1/4 de dólar, 25 cents. 
DIME (lê-se daime): Vale 10 cents. 
NICKEL: Vale 5 cents.
PENNY: Equivalente a 1 cent. Essa moeda está sendo tirada de circulação, mas ainda é bem comum recebe-la como troco... 

Além disso, você pode receber algumas moedas dos EUA também. Mas o layout é parecido. 

Taxas: Tudo que compramos, pagamos 12% de taxa. Mas esse valor não está embutido no preço da prateleira. Ou seja, quando você estiver fazendo uma compra, se prepare para pagar 12% a mais do preço que está vendo. Isso vale pra tudo, até serviços prestados. 

Gorjetas:  É da cultura canadense dar gorjetas (TIPS) pra todos os serviços prestados. As vezes já vem até no valor final da conta. Não é exatamente obrigatório, mas é estranho não dar. Geralmente é de 15% a 20% do valor total. 

Cartão telefônico: Ligar para o Brasil é muito barato daqui. Existe um cartão telefônico que pode ser comprado em qualquer loja de conveniências (como a 7 Eleven), que custa muito pouco, a partir de $2,50, e que dura muito tempo. Eu geralmente comprava o de $ 5,00 dólares, e conseguia falar mais de duas horas com minha família. Pra ligar é muito simples, basta ligar para o numero que se encontra no cartão, e seguir as orientações. Depois você digita a senha que vem no cartão, e o numero do Brasil que você precisa ligar. Pode ser usado várias vezes.

Ligações internacionais: Como explicado acima, para ligar para o Brasil, você precisa do cartão de ligação internacional. Para fazer a ligação, basta digitar 0 11 55 + (cód. de área da cidade) + (numero de telefone).

Telefonia: As operadoras telefônicas aqui são muito baratas e você pode ter um plano que se encaixa na sua necessidade. Geralmente os aparelhos vêm embutidos nos planos, por exemplo, eu pagava somente a mensalidade (30,00 dólares por mês) o que me dava direito a ligações ilimitadas para dentro de Vancouver, 50 minutos para ligações dentro do Canadá, mensagens ilimitadas para o mundo inteiro, e várias outras coisas que eu nem precisei usar. Mas eu não precisei pagar pelo aparelho. Fiz um contrato de 2 anos com a empresa de telefonia, e o valor do aparelho seria pago nas mensalidades. Agora que estamos voltando só precisamos pagar o restante do valor do aparelho.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O que esperar de Vancouver


Vou descrever o que significa Vancouver no meu ponto de vista. Mais uma vez, talvez minha descrição não tenha nada a ver com o que você vai perceber, ou o que outra pessoa vai te falar. Isso depende de cada experiencia pessoal, e o que cada situação representa na vida de quem está observando.

CHUVA: Com o caps lock ligado mesmo... A chuva é uma constante em Vancouver, principalmente no inverno. Tanto é que o apelido da cidade é Raincouver. Chove pelo menos uma vez por dia, isso quando não chove o dia inteiro. Mas a boa notícia é que no verão o clima é agradabilíssimo quase sem chuva e com o calor na medida certa. Pena que dura só dois meses.

Miscigenação: Como Vancouver é conhecida como uma das melhores cidade para estrangeiros do mundo, é pra cá que a grande maioria vem (realmente a qualidade de vida é muito boa mesmo). É muito mais comum você ouvir alguém falando japones/chines/coreano/português/árabe/ nas ruas do que inglês (sério). Por um lado, isso é muito bom, você acaba conhecendo não só a cultura canadense, como um pouquinho de cada canto do mundo. Essa oportunidade é meio rara. Dificilmente eu conseguiria ter tanto contato com estrangeiros em tão pouco tempo.

Cidade bonita: Indiscutivelmente Vancouver é amazing. Desde os prédios com janelas espelhadas no centro, até a Grouse Montain de background constante. Sem falar dos parques, das casas que parecem de bonecas. As fotos não metem. 

Verão com cara de férias: Dá pra entender por que o verão é tão esperado por aqui. Depois de quase 10 meses de chuva e frio, quando o verão chega, as ruas ficam movimentadas, vários eventos acontecem ao ar livre, as pessoas vão para as praias e parques todos os dias... Dá impressão que estão todos de férias. É uma energia muito gostosa. 

Preços caros: FATO! As coisas são muito caras aqui, especialmente para nós brasileiros que convertemos real em dólar. Desde comida, até moradia, chega a assustar um pouco. Mas isso só até você começar a ganhar em dólar. O salário minimo aqui é de 10,25 por hora. Portanto as coisas acabam não saindo tão caro. 

Infraestrutura: Vancouver foi muito bem projetada, isso também é inegável. O transporte publico é impecável, muito organizado e prático. O transito também é muito prático, e quase não se vê congestionamento, uma vez que você entende como a cidade funciona, tudo fica muito fácil e você cada vez mais admirado.

Deficientes: Seguindo a mesma linha do transporte e transito, os deficientes físicos têm muita facilidade de locomoção. Tudo foi projetado para facilitar a vida deles, e como já comentei uma vez, é muito comum vê-los pela cidade. 

Vida pacata: A cidade tem um ritmo vagaroso, o que é ótimo pra saúde física e mental das pessoas. A vida noturna também não é tão movimentada, as baladas geralmente começam a abrir as 21:00 /22:00, e quando dá 1:00 da manhã, a maioria já está fechando. 

Pessoas saudáveis: Quase todas as pessoas aqui tem um ritmo Fitness... É muito comum ver as pessoas se exercitando nas ruas, andando de bicicleta, ou indo pra academia. Faz parte da rotina. Além disso, existem muitos parques, e isso facilita bastante a vida desses "atletas".

Mendigos: Ninguém sabe explicar ao certo a verdadeira história, mas sempre ouvimos falar que há alguns anos atrás, a Província de Alberta (bem do lado de British Columbia onde Vancouver fica situada) não aceitava mendigos. Enquanto isso, eles eram "bem-vindos" por aqui. Além disso, também há alguns anos atrás, um (ou vários) hospícios foram fechados, e as pessoas que se abrigavam lá foram colocadas na rua. Portanto se prepare para encontrar todo o tipo de mendigo pela cidade. Eles não são perigosos, nem vão mexer com ninguém, mas fazem parte da paisagem. 

Segurança: I'm telling you: Não tem problema nenhum você andar sozinho as três horas da manhã na rua. É uma cidade muito tranquila, e segura. Tem apenas uma rua que é mais trash, que é a esquina da Hasting com a Main street, que é onde se reúnem os mendigos e drogados. Ali eu não aconselho ninguém a ir, a não ser em caso de necessidade. Mesmo assim... nunca ouvi falar de nada que tenha acontecido. 

Regras: Por mais que Vancouver seja uma cidade multicultural, as regras aqui funcionam. Não sei dizer exatamente por que isso acontece, não é fiscalização,não é por pressão, não é por educação (pois tem gente de todo tipo, de todos os lugares do mundo)... enfim, o fato é que as coisas acontecem como foram programadas pra acontecer. Talvez justamente por que as pessoas novatas que chegam na cidade estão flexíveis à mudanças, e observam as outras pessoas que fazem as coisas certas, e assim torna-se um circulo vicioso. Queria saber uma fórmula pra isso, pois seria muito útil pra aplicar no nosso país...


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Como começar

Agora a contagem regressiva é pra regressar ao Brasil (estranha essa frase)...

Essa semana faz 5 meses que viemos pra Vancouver. Muita coisa aconteceu nas nossas vidas nesse tempo, aprendemos bastante coisas, crescemos, fizemos muitas amizades, conhecemos lugares, culturas, melhoramos nosso inglês... Agora está na hora de aplicar tudo isso na vida real.

Eu vou dedicar os próximos posts pra dar algumas dicas pra quem está chegando agora em Vancouver, vou me esforçar pra lembrar de um pouco de tudo...

Quando começamos a planejar um intercâmbio, muitas coisas têm que ser levadas em consideração. Algumas das principais decisões a tomar são:

  • Quanto tempo ficar:

O que deve ser levado em conta, são os objetivos pessoais de cada pessoa, por quanto tempo pode-se ficar afastado de sua vida real (família, carreira, estudos, ...), quanto dinheiro existe em jogo, entre outros.

Eu diria que para aprender inglês de verdade, o tempo ideal seria de 10 meses a 1 ano. Isso pode variar de como a pessoa se dedica a estudar, de quantos amigos brasileiros faz, da vida social que leva. No primeiro mês é onde geralmente nota-se uma grande melhora. Depois disso o ritmo diminui, e a melhora é gradativa. O meu inglês ainda está muito fraco, muito abaixo de onde eu imaginei que estaria em 5 meses. Mas com certeza melhorou bastante.

Estudar inglês pode não ser o objetivo principal de todos. Mas enfim... cada pessoa tem seu tempo, e quem sou eu pra cronometrar isso. Portanto sugiro que essa decisão seja tomada com muito cuidado.

  • Destino:


Os lugares mais escolhidos são: Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Inglaterra. É indiscutível a carga que esses lugares representam na vida de um intercambista . Sem falar que essas potências são exemplos mundiais, nas questões socioeconômicas, culturais, educacionais, ambientais, etc.
Sugiro uma pesquisa mais completa a respeito desse assunto, para quem está pensando em viajar. Procure um país que atenda às suas expectativas, e no qual você sinta que conseguirá se adaptar. Isso é muito pessoal, e varia de acordo com o objetivo de cada um.  


  • Agência

Depois do destino escolhido, o próximo passo é escolher uma agência de intercambio. Esse é um passo muito importante, pois tal agencia será o seu intermediador entre o seu presente e futuro. Eles serão responsáveis por te auxiliar em todos os sentidos desde que você começar a planejar até o final da sua viagem. Por isso deve se escolher uma agencia séria, e na qual você se sente seguro. 
Nós escolhemos a Intercultural, e eu super indico. 

  • O que esperar de um intercâmbio:


Quando se pensa em passar um tempo fora, não se faz ideia do que nos espera. Nós só conseguimos mentalizar como vai ser através de experiencias de terceiros, ou pesquisando sobre a cidade e a vida que se leva nesses lugares. Mas não é nada comparado com a realidade. Quando eu cheguei aqui tenho que confessar que a sensação foi desconfortável, eu demorei pra me acostumar com tudo, sentia muita falta da minha vida, e não estava sendo da maneira que eu tinha sonhado. E devo avisar: Isso vai acontecer com você também. Por mais flexível e descolado que você seja, vai bater um arrependimento e desanimo. Mas não se preocupe essa é só uma fase do intercambio. As fases seguintes são:

- Adaptação: Você começa a se acostumar com as coisas, começa a reconhecer os lugares por onde tem passado, com o tempo já é capaz de dar informações na rua.

- Dificuldade de pensar: Nas primeiras semanas eu sentia como se estivesse numa outra dimensão, não conseguia sintetizar o que estava pensando e sentindo, estava quase no piloto automático. As coisas acontecem muito rápido, mas ao mesmo tempo o tempo demora a passar.

- Desintoxicação: Com o tempo eu comecei a perceber o quanto eu estava viciada na minha vida, na minha família, trabalho, da rotina, do café... Comecei a prestar atenção ao que estava acontecendo, que o meu sonho estava finalmente se realizando, e que eu deveria me dedicar a isso. Aos poucos comecei a gostar das coisas, e me sentir em casa.

- Rotina: A partir de algumas semanas a vida "entra nos eixos", você se acostuma com a ideia de que essa é sua vida agora, e volta a pensar com a cabeça sossegada, os planos pro futuro começam a aparecer nos pensamentos, o intercambio começa a fazer sentido.

- Saudade: Deveria ter um jeito de pinçar a saudade do coração, pra que a gente pudesse fazer uma viagem dessas tranquilo. Talvez essa seja a parte mais hard. Mas faz parte, e você precisa se acostumar com isso, caso contrario vai ter vontade de voltar embora.

- Na hora de voltar: Novamente a sensação é um misto de querer ir logo, e querer ficar aqui pra sempre (da mesma maneira que aconteceu quando estava vindo pra cá). O ideal seria poder trazer toda a família e amigos pra morar aqui...